Essa foi a semana comemorativa dos 50 anos de morte de Villa-Lobos. Morto? Viva o vivo! A cidade de São Paulo viveu fortemente essa comemoração vibrante. Aconteceu no Masp um Seminário Internacional,organizado pela ECA/USP. No Concerto 4, envolto na audição das Bachianas n.º 5, executada por o Quinteto Villa-Lobos, a lembrança das aulas de canto orfeônico nas escolas foi orquestrada por Antonio Carrasqueira.
Onde foi parar a preocupação, contemporânea à Villa-Lobos, de oferecer uma educação musical de qualidade nas escolas públicas. Isso acabou junto com os trenzinhos que inspiraram o compositor? Para além do imediatismo de querer novos músicos, ensinar música é salutar a formação de todas as crianças.
Pensando nisso foi interessante ver o espetáculo Villa das Crianças. Uma aula encantadora de música para crianças e que aconteceu nesta manhã no Auditório da FIESP. O tremzinho apitou, as canções folclóricas foram cantadas por senhoras, mães e crianças e as invenções do maestro Villa-Lobos inspiradas em cantigas de rodas foram entoadas. Sonhei que essas aulas sonoras ecoassem pelos 4 cantos do país. Será possível isso outra vez? Será possível recuperar, dinamizar, modernizar, cibernetizar a magia das aulas de canto orfeônico? Isso um dia voltará a interessar aos fazedores de políticas educacionais?
Encerrando ontem o Seminário Internacional Villa-Lobos, a OSUSP encantou com um arranjo inovador para “A Menina das Nuvens”. Quem ensinou ao Maestro Roberto Duarte este deleite com a música, na infância dele? Quem proporcionou estes primeiros prazeres musicais? Quem o fez inventor de arranjos inéditos?
Precisamos musicalizar as aulas, as salas de aulas, os professores e consequentemente as crianças.
domingo, 22 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Atlânticos...não suporto mais...que maravilha, Manuel Pessôa
Atlânticos...não suporto mais...que maravilha, Manuel Pessôa
Neste dia republicano, 15 de novembro, o SESI Paulista ofereceu ao paulistano um vibrante espetáculo: Atlânticos com Manuel Pessôa e tanto mar, tanto mar...
Muito mar, muito mar e muito amar...e a consequência seguinte do muito amar...o partir...partir...e o resto do tempo que leva para entender as partidas.
O Pianista Manuel Pessôa dividiu o palco com o artista multimídia Tomaz Kloetzel. Pessôa tocava Bach ou Villa-Lobos e umas mulheres apaixonadas e apunhaladas pelo tanto amar iam tecendo seus bordados, tanto mar e tanto amar...sons de mar, sons de flauta, sons do piano.
Ouvi uma senhora da primeira fila perguntar para vizinha de fileira, baixinho: Você conhece essa história?
Eu respondo: todos nós somos versos de Camões...amamos, somos amados, fomos amados, amamos. Tanto mar, tudo tão oceânico quanto estes dois corajosos: Pessôa e Kloetzel.
Adorável programa para um domingo com um pouquinho de sol!
Forma de desabrochar os mares internos, com piano, com pianista e com os recursos multíplices.
Neste dia republicano, 15 de novembro, o SESI Paulista ofereceu ao paulistano um vibrante espetáculo: Atlânticos com Manuel Pessôa e tanto mar, tanto mar...
Muito mar, muito mar e muito amar...e a consequência seguinte do muito amar...o partir...partir...e o resto do tempo que leva para entender as partidas.
O Pianista Manuel Pessôa dividiu o palco com o artista multimídia Tomaz Kloetzel. Pessôa tocava Bach ou Villa-Lobos e umas mulheres apaixonadas e apunhaladas pelo tanto amar iam tecendo seus bordados, tanto mar e tanto amar...sons de mar, sons de flauta, sons do piano.
Ouvi uma senhora da primeira fila perguntar para vizinha de fileira, baixinho: Você conhece essa história?
Eu respondo: todos nós somos versos de Camões...amamos, somos amados, fomos amados, amamos. Tanto mar, tudo tão oceânico quanto estes dois corajosos: Pessôa e Kloetzel.
Adorável programa para um domingo com um pouquinho de sol!
Forma de desabrochar os mares internos, com piano, com pianista e com os recursos multíplices.
domingo, 8 de novembro de 2009
Aplaudindo com os pés...sentindo com o coração
O grupo Cantilena Ensemble fez uma apresentação no dia 07 de novembro na Catedral da Sé. O espetáculo faz parte das programações da 3.ª Semana Ticket Cultura e Esporte: Você é a estrela desse espetáculo. No programa apresentado pelo Grupo Cantillena Ensemble: Bach.Mozart, Elgar e Piazolla.
Fiquei encantada com uma senhora que vibrava com a apresentação e aplaudia com os pés, fazendo um ritmo engraçado e que representava o encantamento dela com aquele inusitado encontro. Nada indicava que circulasse pelas salas que apresentam música erudita na cidade. estava era mesmo encantada com os sons dos violinos, dos cellos.
Isso é interessante para significar um certo lugar comum que repete que os que não conhecem música erudita não gostam de música erudita. Falta música erudita nas escolas, nas praças, nas ruas, nas estações de trem na hora de máxima movimentação.
Possível também de aplaudir com mãos, pés e coração foi a apresentação muito contemporânea de Silvio Ferraz. O projeto se chama Fina Escuta e aconteceu no SESC Paulista. Impressionante as possibilidades de piano, poesia e tecnologia digital podem juntos. Isso sob a coordenação do próprio compositor que confessou ouvir Bach e muito mais do que suas interessantes e inovadoras composições. Sinos badalando nas nossas cabeças, uma pianista vibrante interpretando uam música instingante e poemas que faziam ecos na alma, na sala. Não custa nada pedir...música erudita para todos...precisamos aplaudir com pés, mãos e com a alma.
Fiquei encantada com uma senhora que vibrava com a apresentação e aplaudia com os pés, fazendo um ritmo engraçado e que representava o encantamento dela com aquele inusitado encontro. Nada indicava que circulasse pelas salas que apresentam música erudita na cidade. estava era mesmo encantada com os sons dos violinos, dos cellos.
Isso é interessante para significar um certo lugar comum que repete que os que não conhecem música erudita não gostam de música erudita. Falta música erudita nas escolas, nas praças, nas ruas, nas estações de trem na hora de máxima movimentação.
Possível também de aplaudir com mãos, pés e coração foi a apresentação muito contemporânea de Silvio Ferraz. O projeto se chama Fina Escuta e aconteceu no SESC Paulista. Impressionante as possibilidades de piano, poesia e tecnologia digital podem juntos. Isso sob a coordenação do próprio compositor que confessou ouvir Bach e muito mais do que suas interessantes e inovadoras composições. Sinos badalando nas nossas cabeças, uma pianista vibrante interpretando uam música instingante e poemas que faziam ecos na alma, na sala. Não custa nada pedir...música erudita para todos...precisamos aplaudir com pés, mãos e com a alma.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Estrangeira em sua própria Casa do Saber?
A moça de vinte anos mora com os pais, trabalha em um mercadinho e todas as noites faz um deslocamento de 10 km para chegar a sua Universidade, localizada no ABC. Lá cursa graduação. E foi assistir aulas com um vestido de uma cor já escolhida para tendência no verão 2009, de mangas bem compostas e de tamanho compatível ao que costumo ver diariamente nas calçadas da Paulista.
Foi ofendida, xingada, ameaçada, perseguida. Fotografada por homens e mulheres, dentro de uma universidade e de estrangeira que era para além do ABC paulista, foi parar nos olhos de todos
.
Não se deu outra saída para o caso do que removê-la para casa, com escolta policial e vestida com um jaleco de um dos professores. Refleti que ela foi feita estrangeira em sua própria casa alugada, pagante de um curso superior.
E isso me fez lembrar do saudoso Jacques Derrida. Derrida e Duformantelle escreveram sobre a Hospitalidade. Ele descreve neste livrinho que o estrangeiro (hostis) é recebido como hóspede ou como inimigo. E persegue uma linha etimológica e de similaridade entre as palavras: hospitalidade, hostilidade e inventa a palavra hostipitalidade.
A moça revelou em entrevista que ao chegar em casa não conseguiu falar nada para o pai. Temia a palavra que o pai diria sobre sua experiência de um dia de estrangeira na sua casa do saber, a universidade.
E Derrida defende que as "pessoas deslocadas, os exilados, os deportados, os expulsos,os desenraizados, os nômades, têm em comum dois suspiros, duas nostalgias: seus mortos e sua língua" (2003, p. 79). Desde Freud já não é misterioso entender do que é capaz uma massa universitária ou torcida enlouquecida de futebol. Natural demais não ter palavras para descrever a barbárie ao pai. Lamentável demais ter enfrentado jovens enfurecidos com o direito dela de ir e vir vestindo as cores da tendência internacional da moda.
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