Eu acabo de ler a Comédia fantástica em nove cenas de Vladímir Maiakóvski. A tradução é de Luiz Antonio Martinez Corrêa e o cotejo com o original russo e posfácio é de Boris Schnaiderman. A Editora 34 publicou recentemente.
O livro-peça é muito engraçado e o próprio Maiakóvski cometa em uma apresentação da peça que a inspiração veio de um amontoado de fatos que foram narrando para ele e que se metamorfosearam em hilariante peça.
O personagem que se chama Prissípkin é descongelado 50 anos após um incêndio no dia trágico-cômico de seu casamento. Prissipkin fica demasiadamente em pânico ao saber que foi descongelado pelos efeitos dos cientistas. Diz que vai provar sua identidade, mostrar documentos e seus pagamentos em dia. Inclusive sua contribuição aos fundos de defesa revolucionária e sua aflição vai piorando ao descobrir que congelado por 50 anos é inadimplente do pagamento de suas taxas. E lá aparece um percevejo para complicar sua delicada situação com a cultura e poderes instituídos nos tempos emque hibernou congelado.
Ressalto que há ainda,acompanhando o texto, uma escrita do autor sobre a peça. Ele escreveu um ano antes do suicídio.
Essa tradução brasileira é fruto do desejo de Luiz Antonio Martinez Corrêa. Conseguiu encenar a peça e contar com a trilha musical de Caetano Veloso. Houve um debate ao fim de uma apresentação do espetáculo no Rio de Janeiro.
E Boris Schnaiderman narra no posfácio que Caetano questiona a fala de Prestes sobre a exaltação ao poeta da revolução e que caminhava em uníssono com o sistema vigente. Comenta que vai avisar ao pai que esteve com Prestes naquele debate, que ele é admirável e diz que não sabe como Prestes consegue ter tanta certeza de fatos que são tão duvidosos. Uma delas é possível apontar: como julgar alguém como o poeta da revolução e esquecer que foi declarado como imcomprensível paraas massas?
Enfim ontem,hoje e sempre haverão os patrulhamentos dos poderes e dos poderosos? Sejam revolucionários ou não.
Voltando aoa Caetano, escreveu nesta trilha sonora a bela música...
Ressucita-me
(Gal Cos
Talvez
Quem sabe um dia...
Por uma alameda do zoológico ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela tão bonita que na certa
Eles a ressucitarão
O século trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos achar na vida
Como estrela das noites inumeráveis
Ressucita-me ainda que mais não seja
Porque sou poeta
Ressucita-me lutando contra as misérias do cotidiano
Ressucita-me por isso
Ressucita-me quero acabar de viver o que me cabe, minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressucita-me pra que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa, um buraco
Ressucita-me para que a partir de hoje
A família se transforme
E o pai... seja pelo menos o universo
E a mãe... seja no mínimo a Terra, a Terra, a Terra
domingo, 18 de outubro de 2009
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OBS: o verso PORQUE SOU POETA está INCOMPLETO.O verso COMPLETO è :POQUE SOU POETA E ANSIAVA O FUTURO
ResponderExcluirREPETINDO COMENTARIO:o verso PORQUE SOU POETA está IMCOMPLETO! O verso completo é: PORQUE SOU POETA E ANSIAVA O FUTURO.Mee e-mail :totoricardo55@hotmail.com
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