domingo, 13 de setembro de 2009

Em algum sete de setembro passado

Eu fui ao Ipiranga no sete de setembro. E lá fiquei num devir-povo aproveitando desta casa bonita com jardim afrancesado e casarão aberto e gratuito ao povo. Imaginei que a melhor vantagem, neste dia, da monarquia ter ido embora seja este dia gratuito no Museu Paulista. E as pessoas se fotografavam nos jardins com uma dignidade de quem possui direito de tirar fotografia no nosso jardim.E ouvi uma criança de menos de sete anos dizer para a família: "então, nós vamos ver o show?"


Fui olhar neste bando de gente o quadro do Pedro Américo..tanto movimento de guerra e me chamou a atenção um homem carregando uma carroça e abismado com aquele movimento heróico..num ar que me pareceu semelhante aos meus colegas de visita..todos olhando para cima para aquele acontecimento...fotografei uns rostos assim...com o ar do homem da caroça e pintando por Américo.

O sete de setembro, neste templo comemorativo da independência, foi palco de um tudo..me impressionou uma mulher negra, elegantemente vestida de tons cor de rosa e alguém profissional a fotografou. Flertei um pouco com ela, mas ela estava muito concentrada na sua performance. Ela tinha a cabeça bem trançada, trancinha por toda a cabeça em tons combinativos com a roupa e seguia pelos jardins próximo da tumba do imperador e da imperatriz..essa tumba também é um lugar concorrido, neste dia sete, as pessoas olhavam encantadas..uma verdadeitra rainha de Congo, na melhor expressão da palavra. E vi dois pm's lá na tumba dos imperadores, estavam lá aproveitando o dia e olhavam com uma cara de quem nunca tinham visto o que restou da matéria do casal imperial.

Um sol desértico, conseqüências do que fizemos com o planeta e uma fila para entrar no museu..isso é muito interessante...

Quando eu já ia voltando para a Paulista, eis que cruzo com a marcha dos excluídos..muitos movimentos organizados..mst...negros organizados..pstu...e um carro de som e a cantoria: "caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não..." e eu segui dentro do ônibus cantarolando a canção de guerra ou hit de passeata...o povo seguia, em marcha, marcha dos excluídos ou os grupos organizados que gritavam em seu nome, num devir -povo que é melhor do que ficar parado. E em breve chegariam aos jardins imperiais...mais de 180 anos depois de um outro suposto grito do imperador...e o que foi a república para todos os nossos antepassados e para todos os que passaram hoje por este pedaço da história?

Eu, enquanto brasileira, me sinto mais feliz pelo fim da monárquia do que pelo fato de sermos uma república de senadores corruptos ou parte dominada de um capitalismo internacional, que como conversava com meu colega de ônibus este povo precisa ir à ruas para protestar, pois segundo o que ele me falou...rico não gosta de pobre...mas diante do abatimento de alguns manifestantes com o calor..caberia uma pergunta: o que fazemos com este calor de deserto? O que ainda podemos fazer pelo planeta? Alguns se refugiavam uns sombras das árvores da Av. D. Pedro I e o ônibus rumou para a Paulista e eu chupei um picolé de graviola, nas calçadas dos grandes bancos da paulista...serão estes os palácios da república? O certo é que os guardas guardavam suas frentes...estes republicanos não foram fotografar as crinaças nos nosso jardins...são os excluídos de um belo dia de sol nos jardins de nossa casa imperial.

0 comentários:

Postar um comentário